Monday, September 24, 2007

Sobre Johnny Mnemonic

Não existe muito para falar sobre este filme. Na verdade, se William Gibson estivesse morto, poderia ter rebolado imenso na sua campa.

Num futuro distante e apocaliptico, onde as grandes companhias são rainhas, uma misteriosa doença ameaça a raça humana.
Um grupo secreto consegue arquitectar uma cura e contacta Johnny (Keanu Reaves) para a encaminhar, armazenada na sua cabeça, à maior companhia farmaceutica. Porém, devido à sobrecarga de informação - os fanáticos informáticos que viram o filme nesta altura do campeonato devem ter esboçado um sorriso ao ouvir falar em centenas de gigabytes, quando já se fala em terabytes -, Johnny tem apenas 24 horas para atingir o seu objectivo, ou a sua cabeça rebentará.

O filme, desde o primeiro minuto, é um verdadeiro desastre. O argumento está cheio de clichês de acção patéticos e é possível prever muito do que se seguirá. Aliás, o filme em si é tão patético, tão superficial, tão foleiro, que muitos revirarão os olhos pensando "poderia estar a evoluir a minha personagem em FFXI/WOW/qualquer jogo online, em vez de estar a despediçar o meu tempo com isto!"

Vejamos: Ambiente apocaliptico (esta gente futurista não sabe ser optimista!), com doença misteriosa a aniquilar a população menos favorecida. Um fanático religioso armado em Jesus Cristo no meio, para atrapalhar. Umas artes marciais wannabe com japoneses à mistura. E tudo isto com um Keanu Reaves que bem precisava de umas aulas extra de representação, e umas piscadelas de olho visuais para fazer o filme parecer "fixe".

A única coisa que este filme tem de bom é a presença de Takashi Kitano.

Concluindo: se num belo dia estarem numa Fnac e tiverem nas vossas mãos o DVD e o livro, façam um favor a vocês mesmos (e à vossa carteira) e levem o livro.

Monday, April 30, 2007

Sobre "The Trial of Tony Blair"

A edição do Indie Lisboa terminou neste último fim de semana, sendo o filme de encerramento o documentário fictício Death of a President, que retrata o assassinato de George W. Bush num futuro muito próximo. Numa altura em que a maioria da população internacional - incluindo a minha pessoa - é contra a guerra no Iraque, considero esta nova perspectiva muito interessante - atenção que ainda não visualizei o filme, algo que farei possivelmente durante esta semana.

Death of a President passou no Indie no Sábado passado, no cinema S. Jorge. Curiosamente, na noite de Domingo, a RTP1 emitiu The Trial of Tony Blair - (como resposta?).
Ao contrário do documentário fictício atrás mencionado, The Trial of Tony Blair é uma dramatização - aliás, muito recente: se consultarem o URL verão que este filme televisivo data de Janeiro de 2007 - onde a acção se passa num futuro mais longínquo: o ano de 2010.

Em 2010, Tony Blair - interpretado por um actor cuja aparência não tem nada a ver com a aparência do actual Primeiro Ministro (escolha do realizador?) - prepara-se para sair do poder e encontrar uma casa pacata onde passar o resto do seu tempo. Entretanto, trabalha na sua biografia e na sua conversão para a Igreja Católica Apostólica Romana. George W. Bush regressou aos seus vícios e é Hillary Clinton quem ocupa a presidência americana. Um tribunal internacional está prestes a ser criado, que deciderá se a guerra é ilegal ou não, e Blair teme a sua queda.

O interessante neste filme televisivo é a maneira como este fictício Tony Blair é retratado: um homem a atingir a meia-idade, atormentado pelas decisões no passado, que se tenta convencer de que "fez o que achava ser o melhor". Vemos, portanto, este sentimento de culpa a apoderar um sujeito, fazendo-o ter visões e alucinações.
Chegamos ao ponto que nos questionarmos como será verdadeiramente o coração destes "senhores de guerra" que vemos todos os dias na televisão.
Mas acreditar que eles ainda preservam algo humano dentro deles é algo difícil para nós, meros espectadores.